Ángel Cabrera e Roberto de Vicenzo – os únicos sul-americanos a vencerem major de golfe

A verdade é que sempre que se fala em torneios másters do golfe, pouco se sabe sobre sul-americanos. Afinal, os europeus e norte-americanos dominam o cenário. Às vezes, aparecem alguns da África e da Oceania também.

Por outro lado, considere que na América do Sul tem dois jogadores que marcaram presença nesses eventos globais. Um é o Ángel Cabrera, que é um jogador recente e o outro é o histórico e lendário Roberto de Vicenzo. Você vai conhecer a história de ambos agora.

Ángel Cabrera e Roberto de Vicenzo - os únicos sul-americanos a vencerem major de golfe
Foto: (reprodução/internet)

Roberto de Vicenzo

Se nós vamos ser justos, então, devemos começar com o Roberto. Afinal, ele nasceu primeiro do que o Ángel, ainda que ambos sejam argentinos e sul-americanos que venceram competições importantes no golfe mundial.

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Roberto de Vicenzo nasceu em Villa Ballester em 1923 e morreu em 2017, aos 94 anos, também na Argentina, só que em Ranelagh. A profissionalização dele aconteceu no ano de 1938 e ele se aposentou do esporte em 2006.

Na carreira, tem uma história que passa pelo PGA Tour, pelo Senior PGA Tour e por mais de 220 vitórias profissionais. A gente vai falar mais das vitórias dele nos próximos tópicos, por isso, não deixe de ler com atenção.

As vitórias de Roberto de Vicenzo

Com a soma de 229 vitórias profissionais, dá para considerar 7 delas durante a turnê do PGA Tour e outras 2 no PGA Tour Champions. Já em termos de resultados em competições maiores, que são as principais do golfe no mundo, ele tem o título do The Open de 1967.

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Fora isso, ainda soma um 2º lugar no Master de 1968, um T5 no PGA Tour de 1954 e um T8 no US Open de 1958. Em termos de prêmios, ele entrou para o Hall da Fama do Golfe em 1989 e ainda conseguiu o Prêmio Bob Jones em 1970 e o Prêmio Olímpia em 1967 e 1970. Confira abaixo a lista com a quantidade de vezes que Roberto ganhou cada campeonato:

  • 9 vitórias em Circuito Europeu;
  • 132 vitórias na Volta da Argentina;
  • 60 títulos na América Latina / Caribe;
  • 2 troféus no Canadá;
  • 1 Troféu Internacional da Copa do Mundo;
  • 16 vitórias seniores.

Agora, não dá para deixar de dar um pouco mais de detalhes sobre a vitória de 1967, quando ele venceu o The Open com margem de 2 tacadas. Sabe quem ficou com o vice-campeonato? Ninguém menos do que o norte-americano Jack Nicklaus.

O Roberto como representante de seleções

Outro fato curioso sobre o de Vicenzo, que vale comentar aqui, é que ele jogou em várias Copas do Mundo representantes dois países. Primeiro, a Argentina e depois o México. Assim, conseguiu vencer em 1953 com os argentinos e em 1962 e 1970 no individual.

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Foto: (reprodução/internet)

Pela seleção argentina, ele jogou na Copa do Mundo de Golfe de 1953, 1954, 1955, 1962, 1963, 1964, 1965, 1966, 1968, 1969, 1970, 1971, 1972, 1973 e 1974. Pelo México, jogou em 1956, 1959, 1960 e 1961

O resumo da biografia de Roberto de Vicenzo

Nascido no subúrbio de Buenos Aires, ele começou no golfe como caddie. Venceu o primeiro torneio em 1942, sendo o Abierto del Litoral. Já a primeira Copa do Mundo foi em 1953 e tem no histórico o fato de ter vencido o The Open Championship de 1967.

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Foto: (reprodução/internet)

Ele é lembrado por alguns feitos negativos também, como em 1968, no Masters Tournament, quando o parceiro inseriu um 4 ao invés de 3 no placar. Mais tarde, ele se tornou lendário pela frase: “que estúpido eu sou”.

No seu país, ele foi a figura central para a criação do Museu do Golfe em Berazategui e recebeu homenagem durante a inauguração, em 2006.

Ángel Cabrera

Já a história de Ángel também é positiva quando a gente avalia que ele foi um dos poucos golfistas da América do Sul e levar para casa um título major do golfe. No entanto, o desenrolar dessa história pode não ser tão positiva assim. Vamos entender isso.

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Ángel nasceu na Argentina e atualmente mora em Córdoba, no mesmo país. Ele tem 51 anos e é chamado de “El Pato”. Começou a carreira em 1989 e mais do que o Vicenzo, ele tem dois títulos importantes no máster, sendo o Masters de 2009 e o US Open de 2007.

Além disso, dá para citar um T4 em 2009, que ele conseguiu no The Open e um T19 de 2000, quando ele jogou no PGA Tour. Conforme o site do PGA Tour, ele ficou em 102º lugar na Copa Charles Schwab e no último ano, 2020, conseguiu levantar US$ 43.600 no golfe.

Os atuais dados de Ángel Cabrera

Como ele ainda é um jogador profissional, a gente pode citar aqui os dados atuais dele. Sendo que todos estão de acordo com o PGA Tour. Ele teve um T27 no Desafio Aliado, um T41 no Campeões Marroquinos e um T47 no Sanford International.

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Depois, não venceu no PGA Tour, porém, tem 41 vitórias internacionais e mais 3 adicionais. A classificação geral da carreira dele no High Schwab Cup é em 125 lugar. Também usando o mesmo site, dá para ver que ele já ganhou US$ 14.761.614 com o golfe na vida toda. 

Isso é importante de saber porque o coloca entre os 100 que mais ganharam dinheiro com o golfe, sendo exatamente o 66º colocado conforme o site. 

O Ángel Cabrera defendendo seleções

O argentino também já defendeu o seu país em Copas do Mundo, sendo em 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006. Já na Copa dos Presidentes, ele jogou em 2005, 2007, 2009 e 2013.

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Foto: (reprodução/internet)

E vale dizer ainda, antes de pularmos para o próximo tópico que é o mais polêmico, que ele tem dois filhos, o Federico e o Ángel Jr. Ambos são golfistas profissionais e já jogaram pela PGA Tour Latinoamérica. 

O começo de carreira dele também foi como caddie. Porém, o sonho dele sempre foi ser jogador de futebol. A última temporada de sucesso foi em 2018, quando ele marcou presença no Volvo Abierto de Chile e terminou em 6º lugar.

Ángel Cabrera, um criminoso?

Infelizmente, a gente não pode pular essa parte da história, por mais triste que seja. A notícia é bem recente e foi publicada em vários canais de comunicação online. Ele foi preso no Rio de Janeiro, Brasil, em janeiro de 2021 pela Polícia Federal. 

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Foto: (reprodução/internet)

O atleta era procurado pela Interpol acusado por lesões corporais, furto e ameaças de autoridade. Os crimes foram cometidos entre 2016 e 2020. Conforme os jornais argentinos, o El Pato é acusando de violência doméstica contra duas ex-companheiras. 

O nome dele está na lista da “Difusão Vermelha” da Interpol e o mandato de prisão preventivo tinha fins para extradição. Ele deu entrada na Cadeia Pública José Frederico Marques, no Rio. Mas, em breve, seria levado para a Argentina.

O desenrolar da história do El Pato

Após 5 meses detido no Brasil, ele foi levado para a Argentina em junho de 2021. Agora, ele está em Córdoba, a sua cidade natal, onde será julgado. Apesar dos títulos internacionais, sendo dois no próprio Brasil, ele fugiu em dezembro de 2020 da Argentina. 

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Portanto, a partir desse ano, ele não joga golfe e agora aguarda o julgamento. Antes disso, em novembro de 2020, ele já não havia jogado no Masters devido a uma cirurgia que precisou fazer no pulso esquerdo. Mas, jogou entre agosto e setembro no seniors do circuito PGA.

A partir de agora, ele não vai poder mais jogar até que o resultado sobre a sua sentença saia.

Os dados sobre o golfe no mundo e na América do Sul

Algumas pesquisas indicam que existem 80 milhões de jogadores de golfe no mundo e 30 mil campos de golfe. Mais da metade deles estão nos Estados Unidos. Logo, o golfe também é visto como esporte da elite e que gera dinheiro para a indústria. 

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Em números de jogadores, os Estados Unidos estão muito à frente de outros países. E na América do Sul, o grande destaque é mesmo a Argentina. Veja só esses dados:

  • Estados Unidos (América do Norte) – 33,5 milhões de jogadores;
  • Argentina (América do Sul) – 130,2 mil jogadores;
  • África do Sul (África) – 128,2 mil jogadores;
  • Reino Unido (Europa) – 3,4 milhões de jogadores;
  • Japão (Ásia) – 9,4 milhões de jogadores;
  • Austrália (Oceania) – 1,1 milhão de jogadores.

Desse modo, fica claro também porque a maioria dos campeões estão nos Estados Unidos e na Europa, já que por lá o esporte é mais difundido.

Outros sul-americanos do golfe

Agora que você conhece os dois principais nomes do golfe na América do Sul e que estão na Argentina, considere também que há outros nomes, que não são tão importantes em termos mundiais, mas que estão conseguindo espaço.

Um deles é Camilo Villegas, da Colômbia e outro é de uma mulher, a mexicana Lorena Ochoa. Aliás, após a Argentina (130 mil), o Brasil (25 mil) é o país com mais jogadores de golfe, seguido do Chile (20 mil), da Colômbia (16 mil), da Venezuela (9 mil), Peru (3 mil) e Uruguai (2 mil).