Tragédia das Olimpíadas de Munique, em 1972 – Entenda o sequestro de israelenses

Você vai ouvir falar de Tragédia nas Olimpíadas de 1972, Massacre de Munique ou mesmo em Sequestre de Israelenses nos Jogos Olímpicos. No fim, nós estamos falando sobre o mesmo evento, que foi um atentado terrorista que aconteceu na Alemanha.

E sim, realmente foi durante as Olimpíadas de 1972, em Munique. A data é 5 de setembro e o que aconteceu é que 11 integrantes da equipe olímpica de Israel foram tomados como reféns por um grupo terrorista chamado de Setembro Negro. Todos morreram.

Foto: (reprodução/internet)

E é para entender mais sobre esse triste episódio que iremos abordar os seguintes tópicos nesse artigo:

  • Entenda a história da tragédia
  • As Olimpíadas de 1936
  • O começo de tudo
  • O sequestro
  • A negociação
  • A emboscada
  • O massacre
  • O saldo 
  • A soltura dos capturados
  • O caso Yossef Romano
  • O filme sobre o Massacre de Munique
  • Mas os Jogos continuaram

Entenda a história da tragédia

Esse é considerado o maior atentado terrorista em um evento esportivo. O que prova que mesmo em casos de competições, jogos e entretenimento alguns grupos não dão trégua. Para entender melhor o que aconteceu nesse dia marcante, vamos aos fatos históricos. 

Foto: (reprodução/internet)

Nesse ano, a República da Alemanha era liderada por Willy Brandt. Ele se recusou a permitir a intervenção de uma equipe de operações especiais de Israel, chamada de Tzahal. A proposta era da premiê do país, Golda Meir. 

No entanto, o massacre aconteceu após uma invasão terrorista e um sequestro. Tudo isso porque a defesa da segurança alemã estava afrouxada. Continue lendo que vamos explicar isso no próximo tópico, já que envolve também a história das Olimpíadas de 1936.

As Olimpíadas de 1936

Em 1936, as Olimpíadas também aconteceram na Alemanha, na mesma cidade de Munique. No entanto, foi aquele ano marcado pela vitória do velocista americano negro, chamado Jesse Owens em corridas. Por outro lado, a gente tinha um governo nazista comandando por Hitler. 

Foto: (reprodução/internet)

Então, por que isso importa? Porque o Comitê Olímpico que estava organizando a Alemanha havia relaxado a militarização justamente para tirar essa ideia que o nazismo tinha imposto. Assim, os atletas da época comentam que lá tinham equipes bastante insuficientes.

Com pouca segurança, os atletas poderiam frequentar prédios de colegas e até saltarem cercas que dividiam as nações e os públicos. O problema disso é que os israelenses ficaram em uma vila isolada da Vila Olímpica, o que “facilitou o trabalho” dos terroristas. 

O começo de tudo

Foi no começo da noite do dia 4 de setembro, quando já se iniciava a 2ª semana dos Jogos que tudo deu início à um fato marcante e triste da história dos Jogos. Isso porque vários atletas de Israel estavam curtindo a noite, vendo uma peça (Um Violonista no Telhado).

Foto: (reprodução/internet)

E depois saíram para jantar antes de retornar à Vila Olímpica. Então, as 4h30 do dia 5 de setembro, enquanto eles dormiam, 8 terroristas palestinos que eram da Setembro Negro escalaram as cercas de dois metros da Vila. O problema é que eles carregavam granadas.

Aliás, eles faziam parte da OLP, que é a Organização para a Libertação da Palestina. E além das granadas tinham também rifles e pistolas Tokarev. Eles haviam sido treinados no Líbano e na Líbia e conseguiram, de forma fácil, entrar em 2 apartamentos ocupados por israelenses. 

O sequestro

O sequestro aconteceu de forma bastante violenta já que dentro da Vila Olímpica havia muitos quartos. Inclusive, um professor de luta guiou os terroristas para um quarto de lutadores, achando que eles poderiam combater o crime. Porém, vários foram mortos ali.

Foto: (reprodução/internet)

No fim das contas, os terroristas conseguiram capturar 9 reféns, sendo Yossef Gutfreund, Kehat Shorr, Amitzur Shapira, Andre Spitzer, Yakov Springer, Eliezer Halfin, Mark Slavin, David Berger e Ze’ev Friedman. O mais curioso é que mais tarde os terroristas foram reconhecidos.

Assim sendo, alguns deles haviam trabalhado na Vila, durante semanas e conheciam muito bem o local. Outros vieram de trem e avião, usando passaportes falsos. E os atletas que não eram israelenses não foram detidos pelos palestinos. Vários países pediram a liberação dos reféns. 

A negociação

O problema, além da falta de segurança e do estudo dos terroristas, estava também na negociação. Isso porque o grupo de terrorista exigia a liberação de 234 detentos palestinos que estavam presos em Israel. Além da soltura de membros do Exército Vermelho. 

Foto: (reprodução/internet)

Como não obtiveram o que queriam, eles lançaram para fora da Vila o corpo baleado de Weinberg, que era um dos mortos durante o sequestro. Os políticos de Israel afirmaram que não iriam negociar, mas queria enviar a força especial para a região. Mas a Alemanha negou.

Já no amanhecer, um grupo de policiais da Alemanha ia cercando o lugar, aproximando-se também pelo telhado. Porém, os palestinos viram a chegada deles pela TV e exigiram a retirada deles. Pelas janelas, o que se sabia é que os reféns sofriam abusos físicos. 

A emboscada

Passado algum tempo, os terroristas mudaram as estratégias e exigências e passaram a pedir por um avião e helicóptero. O governo alemão concordou e mandou para o transporte de reféns, que iria até a Base Aérea de Furstenfeldbruck. 

Foto: (reprodução/internet)

Porém, a ideia da Alemanha era emboscar os terroristas. Assim, eles posicionaram atiradores há 200 metros dali, em um prédio próximo. No entanto, o chefe terrorista resolveu inspecionar o lugar antes de descarregar os reféns e pegou a polícia de surpresa. 

Mesmo assim, a Alemanha conseguiu mandar um Boeing 727. No entanto, a tripulação era de agentes alemães disfarçados. Assim, todos os terroristas chegaram até o aeroporto, com dois helicópteros. Porém os agentes disfarçados resolveram começar a emboscada.

O massacre

Com uma emboscada mal planejada, o que aconteceu foi que um dos agentes disfarçados começou a atirar e acertou um dos chefes do terrorismo. Foi um tiroteio imenso e um policial alemão acabou morto. Os reféns, amarrados nos helicópteros, não podiam fugir. 

Foto: (reprodução/internet)

A emboscada fez com que os terroristas entrassem em pânico e com os alemães despreparados, o que o mundo viu foi uma guerra surreal. Sendo assim, no dia 5 de setembro, perto da meia-noite, Luttif Afif, o chefe do grupo terrorista tomou uma atitude.

Ele abriu fogo, a queima roupas, contra os reféns que estavam dentro dos helicópteros, amarrados. E, por fim, ainda lançou uma granada contra o helicóptero, incinerando os corpos a bordo. O outro helicóptero foi encontrado mais tarde, com reféns baleados. 

O saldo 

O saldo dessa guerra ainda ficou pior porque ao tentar fugir do local, os líderes terroristas foram baleados pela polícia local. Outros 3 palestinos se entregaram. Assim sendo, um pouco mais do que 24 horas após o início tudo estava terminado, de um jeito totalmente trágico. 

Foto: (reprodução/internet)

No fim, foram 5 terroristas mortos, 3 capturados, 11 reféns mortos e mais 1 polícia morto também. Por isso, o Comitê Internacional Organizador das Olimpíadas suspendeu os Jogos Olímpicos. E uma cerimônia com 80 mil espectadores e 3 mil atletas aconteceu no estádio. 

Alguns anos depois, o governo da Alemanha lançou a unidade policial chamada de GSG 9, na tentativa de lidar melhor com situações semelhantes. Várias unidades e nações da Europa seguiram o mesmo caminho. Só que a história não termina aqui. Acredite!

A soltura dos capturados

Praticamente 2 meses após o acontecido, o voo 615 da Lufthansa foi sequestrado por terroristas do movimento Setembro Negro. Eles pediam a soltura dos 3 terroristas capturados no Massacre de Munique. O governo alemão atendeu o pedido.

Foto: (reprodução/internet)

O 3 capturados foram para a Líbia e foram recebidos como heróis. Mais tarde, o grupo afirmou que a ideia do atentado era chamar a atenção do mundo para a causa da independência da Palestina, que estava sob ocupação militar desde o fim da década de 1960.

No ano de 2016, durante os Jogos do Rio de Janeiro, aconteceu pela primeira vez um reconhecimento oficial em memória as vítimas. Anos mais tarde, vários países também cederam fotos de jogadores e reféns tentando fugir, o que acabou criando um grande acervo.

O caso Yossef Romano

Uma das mortes que mais impressionaram foi de Yossef Romano, que era um levantador de peso nascido na Líbia. Ele nasceu em 1940 e, portanto, morreu com 32, vítima do terrorismo em Munique. Conforme relatos, Romano foi torturado antes de ser morto. 

Foto: (reprodução/internet)

Os terroristas cortaram seus órgãos genitais na frente de outros prisioneiros. Após a morte do filho, a mãe de Romano cometeu suicídio. Alguns anos depois, o irmão fez o mesmo. 

O filme sobre o Massacre de Munique

Em 2005 ninguém menos do que Steven Spielberg dirigiu um filme sobre esse fato histórico. Chamado de Munique, ele foi indicado ao prêmio de 5 Oscar’s, incluindo o de melhor filme e de melhor diretor. Ele conta sobre a operação de retaliação do governo de Israel. 

Foto: (reprodução/internet)

Ou seja, sobre o que aconteceu após o massacre. O filme usa partes, também, do livro “Vingança: A Verdadeira História de uma Equipe Contra Terrorista Israelense”, do George Jonas. O filme foi polêmico e judeus e muçulmanos acusaram o filme por ter conteúdo racial.

Entre os principais personagens vividos, a gente contou com atores consagrados do cinema internacional, como Eric Bana, Daniel Craig (O James Bond), Ciarán Hinds, Omar Metwally, Mathieu Kassovitxz, Hanns Zischler, Geoffrey Rush e Gila Almagor. 

Mas os Jogos continuaram

Apesar de uma primeira impressão que haveria pausa, após 34 horas de ininterrupção dos Jogos, eles voltaram a acontecer, com o presidente do Comitê afirmando que “Os jogos devem continuar”. Por isso, mesmo com o massacre, esse foi um evento bem grandioso.

Ao todo, foram mais de 7 mil atletas, de 121 países e com muita polêmica e tristeza. Entre os destaques da época, a gente teve a União Soviética (Rússia) como principal campeã, levando para casa 50 ouros. Depois, os Estados Unidos, com 33 ouros e a Alemanha com 33 também.