Comissões de atletas se encontram enfraquecidas para exercer autonomia

Durante os últimos cinco anos, algumas das comissões de atletas passaram a adotar um modelo de melhor organização por conta da lei Pelé, que garante que toda entidade de esporte olímpico com ao menos ⅓ de atletas nas cadeiras eleitorais possam receber financiamento público.

No entanto, parece que a reforma por parte das entidades esportivas, que daria um maior poder de decisão aos atletas, tem sido complicada por conta de algumas barreiras jurídicas e confusões administrativas.

Comissões de atletas se encontram enfraquecidas para exercer autonomia
Fonte: (Reprodução/Internet)

Atletas da Luta Olímpica precisaram pedir autorização da Justiça para votar

A Comissão de Atletismo, por exemplo, está sendo desestabilizada por conta de dois dos nove membros que desistiram de ocupar as cadeiras. A maior dificuldade da organização é encontrar substitutos até retomar a ocupação de ⅓ das cadeiras eleitorais constituídas por atletas.

A razão para desistência vem da requisição da criação de regimentos internos, direitos e deveres, além de documentos que especifiquem as regras. Muitos atletas nunca haviam desenvolvido regras e nunca tiveram o apoio de uma autoridade jurídica. 

A Comissão da Luta Olímpica (wrestling) precisou abrir um pedido judicial para conseguir a validação dos votos de seus atletas na eleição de dezembro do ano passado. A votação foi autorizada e Flávio Cabral Neto foi escolhido para assumir a presidência da Comissão, enquanto Aline Silva foi selecionada para a vice-presidência.

Vôlei possui uma Comissão desorganizada

No Badminton, o grupo com ⅓ formado por atletas não foi respeitado. Por isso, as eleições de setembro de 2020 foram decididas com menor voz da cadeira de jogadores. Ygor Coelho, brasileiro que hoje treina na Dinamarca, foi um dos atletas da modalidade que criticou a falta de representatividade dos que se entregam na prática do esporte.

O vôlei, sendo de quadra ou de areia, sofre uma situação complicada. O esporte conta com muita desorganização em sua Comissão. São 54 membros que podem votar, dentre eles federações, representantes de equipes e atletas. No entanto, os atletas olímpicos representam apenas oito da quantidade total.

A última eleição garantiu que Serginho, ex-líbero da seleção brasileira, fosse eleito o presidente da Comissão dos Atletas de sua modalidade. Espera-se que o Escadinha possa reformular o sistema falho de um esporte tão grande no Brasil.

Lei Pelé é responsável pela integração dos atletas à diretoria

A Lei Pelé foi muito importante na adoção de maior protagonismo dos atletas, pois antes não era obrigatório que o grupo fosse instruído sobre o campo administrativo e jurídico que sempre acompanhou o esporte. Anteriormente ao regimento, muitas Comissões de Atleta nem mesmo existiam, sendo criadas há pouco tempo.

Os atletas são a peça principal de qualquer entidade esportiva, sendo a essência de qualquer confederação, comitê olímpico ou federação. Contudo, essa classe é totalmente apagada das principais decisões que ocorrem nos bastidores de cada modalidade. 

Os atletas ainda estão descobrindo a nova posição. Nunca haviam participado de uma assembleia geral, o que se tornará comum após um tempo. Espera-se que a Comissão deve se organizar melhor e conquistar autonomia. 

Yane Marques foi eleita presidente do Comitê de Atletas do COB

Comissões de atletas se encontram enfraquecidas para exercer autonomia
Fonte: Reprodução/Agência Brasil

Nesta terça-feira (12), Yane Marques foi eleita presidente da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico do Brasil (COB). A bicampeã dos Jogos Pan-Americanos e medalhista no Pentatlo Moderno nas Olimpíadas de Londres cumprirá o mandato até 2024.

A votação foi administrada de maneira remota, por onde Yane recebeu 73% dos votos. Logo atrás, ficaram Diogo Silva, atleta de Taekwondo, e Bárbara Seixas, jogadora do vôlei de praia, ambos com 11%. 

Na mesma votação, foram definidos os novos 23 componentes da Comissão de Atletas. São eles:

  • Poliana Okimoto – Desportos Aquáticos;
  • Duda Amorim – Handebol;
  • Adriana Aparecida – Atletismo;
  • Baby Futuro – Rugby;
  • Fernanda Nunes – Remo;
  • Iziane Castro – Basquete;
  • Bárbara Seixas – Vôlei;
  • Isabel Swan – Vela;
  • Ana Sátila – Canoagem;
  • Diogo Silva – Taekwondo;
  • Gustavo Guimarães – Desportos Aquáticos;
  • Rodrigo Santana – Vôlei.

Ainda, completam a lista Edson Bindilatti (Desportos no Gelo), Thiagus Petrus (Handebol), Francisco Barretto (Ginástica), Lucas Duque (Rugby) Juan Nogueira (Boxe), Clodoaldo do Carmo (Atletismo), Arthur Zanetti (Ginástica), Hortência Marcari (Basquete), Jefferson Sabino (Atletismo), Emerson Duarte (Tiro Esportivo) e Joana Cortez (Tênis).